Diretora de secretaria e gabinete explica como a automação de tarefas repetitivas reorganizou o trabalho nas execuções fiscais e ampliou a eficiência do Judiciário
A pressão por eficiência no Judiciário brasileiro não nasce apenas do volume crescente de processos. Ela surge, sobretudo, da necessidade de responder com qualidade a demandas que exigem rapidez, padronização e segurança jurídica. No Ceará, essa equação começou a ganhar outro desenho a partir da incorporação de automações no Núcleo de Justiça 4.0 – Execuções Fiscais, experiência acompanhada de perto por Layla Viana Teixeira Alves da Cruz, diretora de secretaria e gabinete da unidade.
O Núcleo integra o programa Justiça 4.0, criado pelo Conselho Nacional de Justiça, e opera de forma totalmente digital. Desde 2023, passou a utilizar ferramentas de robotização para executar atividades administrativas e judiciais que antes consumiam tempo significativo das equipes. O centro dessa transformação é o robô Clóvis, uma central de automação que executa tarefas em larga escala com base em parâmetros previamente definidos.
Os números ajudam a dimensionar o impacto. Apenas entre janeiro e dezembro de 2025, o Núcleo realizou mais de 68 mil movimentações processuais, com produção de despachos, decisões e sentenças em volume incompatível com uma rotina exclusivamente manual. A automação permitiu absorver essa demanda sem comprometer a qualidade técnica dos atos.
Para Layla, o principal ganho está na reorganização do trabalho interno. “A utilização de automações contribui de forma significativa para a execução de tarefas repetitivas. Isso traz mais agilidade, reduz erros e permite que os servidores concentrem esforços em atividades mais estratégicas e complexas”, afirma. Segundo ela, esse redirecionamento impacta diretamente a prestação jurisdicional e o atendimento à sociedade.
Entre as automações implementadas estão a emissão de cartas de citação, consultas a sistemas de informações públicas, decisões padronizadas de constrição de bens e protocolos automáticos em sistemas como o Sisbajud e o Sinesp. Em um único dia, a unidade consegue emitir centenas de cartas de citação, algo que, manualmente, seria inviável dentro da mesma jornada de trabalho.

O efeito prático dessa mudança aparece também nos indicadores institucionais. Em 2025, o Núcleo superou com folga metas nacionais estabelecidas pelo CNJ, como julgar mais processos do que os distribuídos e reduzir a taxa de congestionamento. O desempenho reforça uma percepção que vem se consolidando internamente: a tecnologia não substitui o trabalho humano, mas redefine sua função.
Layla participou das reuniões e colaborou diretamente para a implantação das primeiras automações ainda na fase inicial do projeto, em 2022. Para ela, a experiência mostrou que inovação no Judiciário exige mais do que ferramentas. “Automatizar é repensar fluxos, identificar gargalos e ajustar processos à realidade da unidade. Sem isso, a tecnologia não entrega todo o seu potencial”, observa.
A experiência do Núcleo de Justiça 4.0 – Execuções Fiscais indica que a transformação digital no Judiciário depende de integração entre tecnologia, gestão e equipes. Ao liberar tempo e energia para atividades que exigem análise jurídica aprofundada, a robotização contribui para um modelo de trabalho mais equilibrado e eficiente, com impacto direto na qualidade das decisões e no serviço prestado ao cidadão.
